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Impacto Profundo: Mais de 149 Mil Crianças Órfãs na Pandemia

Estudo revela número alarmante de crianças órfãs em 2020 e 2021 no Brasil.

26/10/2025 às 17:54
Por: Redação

Vulnerabilidade Infantil em Tempos de Pandemia

Durante os anos críticos de 2020 e 2021, a pandemia de Covid-19 deixou um rastro de dor e mudança profunda na estrutura familiar de muitos brasileiros. Enquanto mais de 700 mil vidas foram perdidas, o impacto indireto se revelou devastador para 284 mil crianças e adolescentes, que não apenas perderam seus entes queridos, mas também uma parte significativa de suas seguranças emocionais e econômicas. Pesquisadores de diversas nacionalidades, incluindo ingleses, brasileiros e americanos, uniram forças para quantificar e analisar o fenômeno da orfandade causado pela pandemia no Brasil. O estudo destaca a vulnerabilidade das crianças que dependiam dos falecidos, evidenciando que muitas eram sustentadas por familiares idosos que tiveram um papel crucial em suas vidas. De acordo com as estimativas, 1,3 milhão de crianças ou adolescentes perderam um ou ambos os pais ou um cuidador por múltiplas causas. Com um foco específico na Covid-19, 149 mil crianças tornaram-se órfãs e outras 135 mil perderam seus cuidadores principais. As estatísticas revelam ainda que, em muitos casos, as perdas surgiram de forma desequilibrada: 70,5% dos falecidos eram pais, 29,4% eram mães, e casos de orfandade dupla também foram documentados. Os estados brasileiros apresentaram um panorama variado de orfandade. Mato Grosso, Rondônia e Mato Grosso do Sul sofreram os maiores índices, enquanto Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Pará registraram estatísticas menos acentuadas. Casos individuais, como o de Bento, filho de Ana Lúcia Lopes, exemplificam a dor e as mudanças impostas pela pandemia. Aos quatro anos, Bento ficou órfão de pai quando Cláudio da Silva faleceu após contrair Covid-19 em uma viagem de negócios. Ana Lúcia evidenciou o impacto emocional em seu filho e recorrou ao suporte psicológico para lidar com a perda. Em termos financeiros, a contribuição previdenciária de Cláudio garantiu uma certa estabilidade para seu filho por meio da pensão por morte. Andréa Santos Souza, promotora de justiça em Campinas, relatou um aumento nos pedidos de guarda de crianças por parentes, intensificando a necessidade de uma resposta organizada das instituições de assistência social. A pandemia ampliou desigualdades e expôs lacunas no sistema social para crianças órfãs, sobretudo aquelas de famílias do setor informal, incapazes de se isolar durante a crise sanitária. Dados do Imperial College de Londres, coadunados com esforços locais, suportam a criação e reforço de políticas públicas em prol destas crianças, destacando a necessidade urgente de intervenção pós-pandêmica.

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