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Mortes Por Calor Podem Dobrar em Vinte Anos

Estima-se que óbitos alcancem 2,06%. Idosos são os mais vulneráveis.

16/10/2025 às 10:41
Por: Redação

Chapéu: Saúde Ambiental

Atualmente, o calor é responsável por cerca de uma em cada cem mortes na América Latina. Contudo, esse índice pode mais que dobrar em 20 anos, considerando o envelhecimento populacional e cenários moderados de aquecimento global, com aumento de temperatura entre 1º C e 3º C no período de 2045 a 2054. Esses dados foram levantados em 326 cidades na Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, México, Panamá e Peru por uma rede de pesquisadores.

Estimativas atuais indicam que as mortes por calor correspondem a 0,87% do total, número que pode atingir 2,06% no cenário mais pessimista.

“As pessoas idosas e as mais pobres são as que mais sofrem. Quem vive em áreas periféricas, em moradias precárias e sem acesso a ar-condicionado ou a espaços verdes terá mais dificuldade para enfrentar ondas de calor cada vez mais intensas. As mortes são apenas a ponta do iceberg. O calor extremo aumenta o risco de infartos, insuficiência cardíaca e outras complicações, especialmente em pessoas com doenças crônicas”, declara Nelson Gouveia, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), um dos participantes do estudo.

No Brasil, foram utilizados dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do DataSUS e do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Assim como em outros países estudados, as mortes relacionadas a eventos climáticos com temperaturas extremas devem aumentar, tanto por calor quanto por frio. O envelhecimento da população, especialmente acima de 65 anos durante a década de 2045-2054, é um fator determinante para o aumento.

Os pesquisadores concluíram que é possível evitar uma parcela significativa dessas mortes, mediante políticas de adaptação climática direcionadas para populações vulneráveis a temperaturas extremas. Isso inclui planos de ação para ondas de calor intenso e adaptações urbanas que reduzam a exposição e mitiguem os efeitos na saúde, acessíveis a idosos e pessoas com deficiência.

Medidas adicionais que podem ser eficazes incluem a implementação de sistemas de alerta precoce, divulgação clara e acessível de informações à população, ampliação de áreas verdes e criação de corredores de ventilação urbana para minimizar as ilhas de calor, além de educação comunitária sobre riscos associados a altas temperaturas e métodos de proteção individual e coletiva. Também é recomendada a adoção de protocolos de saúde pública para atendimento prioritário às populações idosas e com doenças crônicas, prática já implantada no Rio de Janeiro.

Este estudo faz parte do projeto Mudanças Climáticas e Saúde Urbana na América Latina (Salurbal-Clima), envolvendo pesquisadores de nove países latino-americanos e dos Estados Unidos. Com duração de cinco anos (2023-2028), o Salurbal investiga a relação entre mudanças climáticas e impactos na saúde da região.

O estudo completo está disponível na revista eletrônica Environment International.

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