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Perucas Feitas no Presídio Feminino Levam Esperança a Mulheres com Câncer

Detentas utilizam artesanato para apoiar a Rede Feminina durante o Outubro Rosa

14/10/2025 às 09:39
Por: Redação

O Estabelecimento Penal Feminino “Irmã Irma Zorzi”, em Campo Grande, promoveu uma significativa cerimônia de entrega no início deste mês. Ao todo, 123 perucas, habilmente confeccionadas por reeducandas do setor de artesanato da unidade, foram destinadas à Rede Feminina de Combate ao Câncer. Esta ação, parte integrante da programação do Outubro Rosa, destaca o poder do trabalho desenvolvido no sistema prisional, unido ao compromisso social e à valorização da vida.

O projeto é uma colaboração entre a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), a Receita Federal do Brasil e a Rede Feminina de Combate ao Câncer, ligada ao Hospital Alfredo Abrão. Além das perucas prontas, foram entregues 40 quilos de cabelos humanos, material apreendido pela Receita Federal que servirá como matéria-prima para a criação de novas perucas para pacientes em tratamento oncológico.

Um Gesto de Esperança e Autoestima

Durante o evento, Rosana Aguilar Macedo, presidente da Rede Feminina de Combate ao Câncer, expressou a relevância da iniciativa e seu impacto positivo. Emocionada, ela afirmou: “Essas perucas representam autoestima e esperança para quem enfrenta o câncer. Muitas mulheres chegam até nós fragilizadas e saem com um sorriso no rosto. É um trabalho que nos enche de alegria e gratidão. Agradeço à Receita Federal, à Agepen e às internas que confeccionaram com tanto carinho cada peça.”

Rodrigo Rossi Maiorchini, diretor-presidente da Agepen, ressaltou que a atividade transcende as fronteiras do presídio. “Essa é uma das iniciativas mais bonitas que podemos realizar. As internas colocam dedicação e talento em algo que leva amor, autoestima e solidariedade a outras pessoas. Isso mostra que o trabalho prisional é uma ponte de transformação — dentro e fora das unidades”, pontuou. Ele agradeceu às equipes e instituições parceiras, enfatizando a sinergia para resultados humanos e duradouros.

Zumilson Custódio da Silva, delegado da Receita Federal em Campo Grande, explicou que a destinação dos cabelos apreendidos reflete a nova diretriz do programa Receita Cidadã. “Esses materiais, que antes iriam para leilões, agora ganham um novo significado. Transformam-se em solidariedade, em dignidade. Essa parceria com a Agepen e a Rede Feminina mostra o quanto o trabalho conjunto pode transformar vidas”, concluiu.

A diretora do Estabelecimento Penal Feminino “Irmã Irma Zorzi”, Mari Jane Boleti Carrilho, agradeceu às instituições e sublinhou o significado social da ação. "Embora pareça um ato simples, a entrega das perucas representa um gesto de grande valor humano e solidário, resultado do trabalho dedicado das internas com o apoio voluntário da instrutora Dirce Ramos." Ela também destacou a importância das parcerias e a realização da ação durante o Outubro Rosa para reforçar a conscientização sobre autocuidado e prevenção.

Transformando Vidas Através da Solidariedade

Sueli Lopes Telles, presidente do Hospital de Câncer Alfredo Abrão, enfatizou o valor simbólico das perucas. “Elas devolvem a confiança e a autoestima das mulheres em tratamento. Nosso hospital é responsável por 72% dos atendimentos oncológicos do Estado e trabalha com amor e acolhimento, em parceria com a Rede Feminina e voluntários que fazem do SUS um verdadeiro símbolo de esperança”, salientou.

A voluntária e paciente Amanda Serafini compartilhou sua experiência: “Perder o cabelo é um dos momentos mais difíceis do tratamento. Muitas de nós não temos condições de comprar uma peruca, e receber uma é um gesto que devolve a autoestima e a vontade de seguir lutando. Agradeço a todos os envolvidos por esse trabalho tão importante”, relatou, reforçando a importância do autoexame e diagnóstico precoce.

A cerimônia, que contou com a presença de autoridades como Maria de Lourdes Delgado Alves e Flávio Rodrigues da Agepen, demonstrou que o trabalho prisional pode ser uma ferramenta eficaz de ressocialização, cultivando empatia, dignidade e oferecendo novas perspectivas de vida para reeducandas e pacientes.

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