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Prevenção ao Câncer Deve Ser Prioridade, Afirma Temporão

Ex-ministro destaca a importância da promoção de saúde e políticas preventivas.

26/10/2025 às 13:39
Por: Redação

Prevenção em foco no combate ao câncer

José Gomes Temporão, ex-ministro da Saúde e pesquisador da Fiocruz, defende que a prevenção e a promoção da saúde sejam o "eixo central" do combate ao câncer, tanto no Brasil quanto globalmente. Durante uma entrevista à Agência Brasil, ele enfatizou que o enfrentamento da doença vai além do diagnóstico e tratamento, sendo também um desafio social e econômico.

Desigualdades e reestruturação do SUS

Para Temporão, a reestruturação do SUS em uma organização regional poderia melhorar o atendimento a doenças complexas, diminuindo desigualdades regionais. Em mais de 600 municípios brasileiros, o câncer já lidera as causas de mortalidade, e a OMS projeta que superará doenças cardiovasculares como causa principal de mortes nas próximas décadas. O IARC estima 35 milhões de novos casos de câncer globalmente em 2050. No Brasil, o Inca prevê cerca de 700 mil novos casos anuais até 2025.

Iniquidades e acesso a tratamento

Temporão ressaltou que, apesar de muitos casos ocorrerem em países de baixa e média renda, a incidência global não é expressiva. Nestes países, 70% das mortes por câncer ocorrem devido à iniquidade no acesso à prevenção e ao tratamento, o que inclui tecnologias tradicionais como quimioterapia, radioterapia e cirurgia.

Políticas intersetoriais e desafios

Uma visão multifacetada do câncer é necessária, segundo Temporão, que pede políticas eficazes que garantam prevenção, detecção precoce, tratamento, reabilitação e cuidados paliativos. A prevalência dos fatores de risco como tabagismo, álcool, obesidade, má alimentação, sedentarismo e poluição ambiental requer políticas intersetoriais consistentes, enfrentando desafios como o lobby de ultraprocessados e bebidas açucaradas.

Importância do diagnóstico precoce

Apesar do foco na prevenção, Temporão considera crucial o diagnóstico precoce, que depende de uma rede de atenção básica estruturada para identificar sintomas e realizar exames de rastreamento. No Brasil, a atenção primária cobre 150 milhões de pessoas, mas ainda é heterogênea em desempenho, com disparidades entre as regiões Norte e Nordeste comparadas ao Sul e Sudeste.

Avanços tecnológicos e acessibilidade

Avanços tecnológicos como imunoterapia apresentam promessas, mas medicamentos caros estão fora do alcance de países em desenvolvimento. A Conitec, inspirada pelo modelo inglês de regulação de tecnologia no SUS, colabora na avaliação da incorporação de tratamentos.

Regionalização e equidade

Para efetivar a lei que garante tratamento em até 60 dias após diagnóstico, Temporão sugere uma regionalização do sistema de saúde, reduzindo de milhares para cerca de 400 regiões. Isso asseguraria uma distribuição equitativa de especialistas, principalmente fora das regiões Sul e Sudeste.

Telemedicina e inteligência artificial

Ele destaca a importância do rastreamento organizado e das novas tecnologias de comunicação, como telemedicina, facilitando o acesso a especialistas. A inteligência artificial pode aumentar a precisão dos diagnósticos, mas a revisão humana permanece crucial.

Combate à desinformação

Porém, Temporão alerta para a desinformação amplificada por novas tecnologias. Ele sugere estratégias de comunicação eficazes para contrapor fake news e informar corretamente sobre riscos associados ao câncer.

Exemplos de sucesso

Exemplos de sucesso, como a redução do tabagismo no Brasil, demonstram que políticas claras e transparência nos dados são essenciais. A regulamentação da publicidade de tabaco, álcool e ultraprocessados deve ser considerada para atingir resultados positivos similares.

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