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50 Anos Depois, Memória de Herzog Ainda Mobiliza Multidões

Evento na Catedral da Sé destaca luta contínua por justiça e direitos.

26/10/2025 às 04:36
Por: Redação

No dia 25 de outubro, data que marca meio século do assassinato do jornalista Vladimir Herzog pela ditadura militar, a Catedral da Sé em São Paulo foi cenário de um ato ecumênico promovido pela Comissão Arns e pelo Instituto Vladimir Herzog. O evento lembrou a famosa cerimônia inter-religiosa de 1975, que, desafiando o regime militar, atraiu cerca de 8 mil pessoas poucos dias após a morte de Herzog.

Ivo Herzog, filho de Vladimir, destacou no local a necessidade de que se leve adiante um processo legal envolvendo os crimes da ditadura. Ele afirmou que o que falta é investigar e indiciar os autores dos crimes - vivos ou mortos -, para que o Judiciário decida sobre a responsabilidade deles.

Ivo ressaltou a importância de rever o parecer do STF sobre a Lei da Anistia de 1979, mencionando que a ADPF 320 está nas mãos do ministro Dias Toffoli há mais de oito anos. Segundo ele, o Brasil tem uma história marcada por golpes e impunidade, sempre envolvendo militares.

A ADPF 320, apresentada pelo PSOL em 2014 e ainda aguardando julgamento, questiona a interpretação judicial e governamental da Lei de Anistia. O Instituto Vladimir Herzog, que se tornou amicus curiae da ação em 2021, alega que a lei atual assegura impunidade para crimes de lesa-humanidade da ditadura, violando tratados internacionais de direitos humanos.

Ivo argumentou que o atraso na decisão do ministro Toffoli representa cumplicidade com a cultura de impunidade, e espera que a manifestação ecumênica sensibilize os ministros do STF.

Ele também comentou que a anistia de 1979 foi uma aberração, já que o regime da época nunca admitiu crimes. O mesmo, segundo ele, ocorre com os envolvidos nos eventos do 8 de janeiro, que não reconhecem suas ações como criminosas.

O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, também esteve presente. Ele afirmou que a morte de Herzog foi consequência do extremismo estatal que perseguia cidadãos. Quando questionado sobre sua posição em relação à revisão da Lei de Anistia, afirmou que já foram dados bons passos.

Ivo Herzog viu a presença de Alckmin como uma reafirmação do compromisso do Estado com a democracia, a justiça e os direitos humanos, contrastando com o medo sentido há 50 anos, quando a cerimônia original ocorreu sob vigilância armada.

Vladimir Herzog, conhecido como Vlado, era então diretor de Jornalismo da TV Cultura. Ele foi torturado e morto no Doi-Codi, após se apresentar voluntariamente em 25 de outubro de 1975. O jornalista Sérgio Gomes, preso na mesma data, relatou lembrar de ouvir torturas e de uma tentativa de encobrir a morte de Vlado como suicídio.

Após a morte de Vladimir, sua esposa, Clarice Herzog, liderou a denúncia do assassinato político. Em 31 de outubro de 1975, uma cerimônia na Catedral da Sé, liderada por figuras religiosas e com apoio do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, se tornou um marco de resistência democrática.

Hoje, repórteres marcharam do auditório Vladimir Herzog até a Sé. Thiago Tanji, presidente do sindicato, destacou a luta contínua contra a impunidade e a importância deste evento para a democracia.

Presenças memoráveis da cerimônia original foram saudadas, junto a personalidades como Luiza Erundina e Eduardo Suplicy. Durante o evento, o Coro Luther King e líderes religiosos conduziram as manifestações.

Vídeos e homenagens, incluindo uma leitura da atriz Fernanda Montenegro, marcaram o ato, trazendo à luz a luta pela verdade e justiça desde a ditadura até hoje.

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