Há 50 anos, Vladimir Herzog, um destacado jornalista na luta contra a repressão, apresentou-se voluntariamente ao DOI-Codi, órgão da ditadura militar. Apesar de não haver ordem judicial, foi preso, torturado e morto em 25 de outubro de 1975. Trabalhando como diretor de Jornalismo da TV Cultura, Herzog se tornou símbolo de resistência em prol da democracia.
Cinco décadas mais tarde, o legado desse ícone é celebrado através de novas produções. O lançamento de um documentário e um podcast sobre sua trajetória destacam sua luta. Além disso, uma ferramenta de inteligência artificial inovadora foi desenvolvida para simular respostas na voz de Vlado, utilizando seu extenso acervo.
O documentário ‘A Vida de Vlado – 50 anos do Caso Herzog’, produzido pela TV Cultura, exibirá materiais inéditos neste sábado (25), às 23h. Estreou durante a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo com um pôster especial mostrando Herzog ao lado da família.
Marília Assef, diretora de Jornalismo da TV Cultura, ressalta que o filme inclui fotos inéditas e entrevistas com colaboradores de Herzog. “O rico acervo englobou materiais da TV Cultura e do instituto, além de slides de um filme que ele estava realizando sobre Canudos”, comenta.
Outro tributo ocorre neste domingo (26), com a intervenção Calçadão do Reconhecimento na Praça Memorial Vladimir Herzog em São Paulo, homenageando os vencedores do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. A relevância cultural da EBC, celebrada em 2022 por resistir durante o governo Jair Bolsonaro, também é destacada.
O podcast ‘O Caso Herzog: A Foto e a Farsa’, liderado por Camilo Vannuchi, investiga o contexto da ditadura. “A foto de Herzog foi manipulada para simular suicídio”, ele explica. A complexidade do caso é reforçada por entrevistas e documentos.
Além disso, Herzog, judeu, deveria ser enterrado separadamente em caso de suicídio. No entanto, após um contato de um funcionário que observou hematomas relatados ao rabino Henry Sobel, foi sepultado na área nobre do cemitério.
Paulo Markun, amigo de Herzog, relata as tentativas de encobrir o assassinato e o impacto das torturas. "Foi tudo uma farsa", declara, destacando a importância de lembrarmos essas histórias.
A nova ferramenta de inteligência artificial desenvolvida por Markun utiliza uma base rica de reportagens e textos de Vlado para manter viva sua presença nas discussões atuais. “Mostra o valor da democracia e da liberdade de expressão”, reforça.
Após o trágico evento, aproximadamente 8 mil pessoas reuniram-se na Sé, em 1975, numa demonstração de força contra a repressão, marcando o início de movimentos democráticos no Brasil.