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Analistas questionam suporte dos EUA à segurança do Rio

Gestos de auxílio americanos são considerados controversos e afetam soberania, afirmam especialistas.

05/11/2025 às 22:29
Por: Redação
O comunicado do governo dos Estados Unidos oferecendo qualquer tipo de assistência à Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro foi considerado inadequado por especialistas, ainda que os EUA frequentemente mantenham relações diretas com governos locais de outros países. Especialistas relembram casos anteriores, como a Lava Jato, onde as relações do Brasil com o FBI foram motivadas por questões de contraterrorismo e lavagem de dinheiro, destacando que a atual situação traz preocupações semelhantes. Raphael Lana Seabra, professor da Universidade de Brasília, classificou a oferta de auxílio ao Rio de Janeiro pelo governo Trump como uma ação incomum e inadequada, especialmente em termos de questões de soberania. A carta norte-americana, assinada por James Sparks, expressava condolências pela morte de quatro policiais durante uma operação no Alemão e Penha, que resultou em 121 mortes, e se prontificava a oferecer assistência adicional. Seabra destacou que este tipo de intervenção não cabe aos EUA, comparando com os próprios problemas internos de droga e crime organizado enfrentados no país. Bruno Lima Rocha, cientista político, apontou semelhanças entre a atual atitude dos EUA e as práticas durante a Guerra Fria, mencionando as implicações de uma possível "narcoterrorismo" como forma de ingerência. Ambos os especialistas criticam o movimento brasileiro que busca classificar organizações criminosas como terroristas, alertando que isso seria uma distorção da tipificação criminal. Foi ressaltado que o presidente Trump autorizou a CIA a operar secretamente na Venezuela, sob a justificativa de que drogas estavam sendo enviadas para os Estados Unidos, refletindo uma postura de violação de soberanias nacionais. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, também já rejeitou operações terrestres norte-americanas, complicando ainda mais a relação entre os países. Seabra defende que o Brasil deveria buscar soluções nacionais para o combate ao crime organizado, em vez de aceitar auxílio estrangeiro, enquanto Rocha sugere uma resposta coordenada entre Polícia Federal e Itamaraty ao comunicado dos EUA. Em resposta, o governo do Rio de Janeiro afirmou que mantém uma troca constante de informações com agências antidrogas internacionais, assegurando que não há permissão para ações estrangeiras em solo brasileiro.

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