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Cassems Movimenta mais de 1,3 Bilhão, Mas Enfrenta Insatisfação

Deputado João Henrique destaca arrecadação e questiona alocação de recursos.

14/10/2025 às 16:52
Por: Redação

Assistência à Saúde

Durante o Grande Expediente da sessão ordinária desta terça-feira (14), na Assembleia Legislativa, o foco das discussões foi a gestão e os serviços da Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul (Cassems). O tópico gerou divisões: o deputado Paulo Corrêa (PSDB), 1º secretário da Casa, elogiou a eficiência da instituição, enquanto João Henrique (PL) criticou a administração e pediu maior transparência.

O debate foi iniciado por Paulo Corrêa, que mencionou uma pesquisa da própria Cassems, indicando que 80,1% dos beneficiários aprovam os serviços. "A Cassems é o melhor plano de saúde de Mato Grosso do Sul, com a melhor rede hospitalar, garantindo atendimento de qualidade. Esta pesquisa demonstra uma satisfação bem acima da média. Estão tentando promover um linchamento moral do presidente Ricardo Ayache, algo que só teria justificativa se o trabalho não estivesse sendo bem feito", afirmou.

Corrêa destacou o reconhecimento da Cassems por instituições como o Tribunal de Justiça, Ministério Público, Tribunal de Contas e Governo do Estado. "Para obter 80% de aprovação, é necessário ser um gestor muito competente. Em Campo Grande, por exemplo, o melhor hospital é o da Cassems", completou.

Ele também lembrou da importância da instituição durante a pandemia. "Se não fosse pela Cassems, talvez não tivéssemos superado a Covid-19. A instituição apoiou milhares de pessoas e deu suporte ao Estado em tempos difíceis", ressaltou.

O deputado Zeca do PT (PT) comentou que a Cassems foi criada durante seu governo, em 2000, substituindo o antigo Previsul. "Antes, os servidores enfrentavam humilhações sem conseguir atendimento nos laboratórios devido a falta de pagamento. Hoje, a Cassems é uma referência e administra dez hospitais. Estados vizinhos vêm conhecer nosso serviço de excelência", afirmou.

Zeca anunciou que está em estudo a criação de um setor para cirurgias cardíacas em crianças, buscando recursos junto ao Ministério da Saúde. "Esse projeto me enche de orgulho. O papel social que a Cassems desempenha é motivo de satisfação para mim como ex-governador", disse.

Críticas e pedidos de investigação

O deputado João Henrique (PL) contestou a boa avaliação e apontou insatisfação entre os servidores. "Há gastos excessivos em publicidade — cerca de cinco milhões por ano, totalizando 50 milhões nos últimos dez anos — além de denúncias de não pagamento de próteses e serviços médicos", criticou.

Ele também mencionou cirurgias suspensas por atrasos em pagamentos a anestesistas, mesmo após um aporte de 60 milhões de reais feito pela ALEMS para regularizar débitos. Sugeriu uma pesquisa de opinião auditada, com identificação de entrevistados, e propôs um projeto de lei para gravar entrevistas. "Na última assembleia online da Cassems, mais de mil pessoas não conseguiram registrar voto contra a administração. Isso não pode acontecer de novo", alertou.

João Henrique destacou que a instituição arrecada mais de 1,3 bilhão de reais anualmente, com 800 milhões de reais descontados dos servidores e 470 milhões de reais de contribuição do Estado. "A Cassems recebe quase meio bilhão do Estado e ainda há servidores insatisfeitos. Para onde vai tanto recurso?", questionou.

Beneficiários pedem abertura de CPI

Representantes de servidores acompanharam os discursos e pediram a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a instituição. Jeder Fabiano, presidente da Associação dos Beneficiários da Cassems (Abecams), discursou em defesa da medida.

"Falo em nome de centenas de pessoas que vivem o descaso. Faltam insumos, o home care é negado e muitos precisam recorrer à Justiça para garantir o direito de viver", declarou.

Jeder comparou o orçamento da Cassems ao de grandes municípios. "Em Dourados, a prefeitura administra 1,1 bilhão de reais por ano. A Cassems sozinha movimenta 1,3 bilhão de reais. É mais do que uma cidade inteira. Por isso pedimos apoio desta Casa para a abertura da CPI", concluiu.

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