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CIA na Venezuela: Novo Precedente para Intervenções na América Latina

Ações dos EUA abrem caminho para futuras intervenções militares diretas na região.

16/10/2025 às 20:32
Por: Redação

Guerra Civil em Perspectiva

Especialistas em relações internacionais consideram que a confirmação de ações da Agência Central de Inteligência (CIA) na Venezuela pelos Estados Unidos pode estabelecer um precedente perigoso, possivelmente justificando futuras intervenções militares diretas de Washington na América Latina.

Os estudiosos entrevistados pela Agência Brasil destacaram que essa intervenção dos EUA na Venezuela transgride a lei internacional. Tal ação pode desencadear uma guerra civil em um país vizinho do Brasil e, ao contrário do que afirma a Casa Branca, o objetivo real seria controlar as maiores reservas de petróleo do mundo, não combater o narcotráfico.

"Não sabemos se os EUA vão parar na Venezuela. A apreensão do governo brasileiro é total, assim como da Colômbia e de todos os países. Vão tentar fazer da Venezuela um protetorado dos EUA. Vão colocar no poder quem eles querem," afirmou Roberto Goulart Menezes, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB).

O pesquisador do Instituto Nacional de Estudos sobre os EUA indicou que a intervenção na Venezuela representa uma ameaça para toda a América Latina e Caribe, colocando a região em estado de alerta. "Os EUA querem invadir um país que é próximo ao Brasil. Isso é assombroso," comentou.

Na quarta-feira, dia 15, Trump confirmou ter autorizado a CIA a operar contra o governo de Maduro, mencionando que a Venezuela e outros países estão sob pressão.

Camila Vidal, professora de relações internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), destacou que a intervenção dos EUA na Venezuela desrespeita o direito internacional. "É ilegal um país interferir na soberania de outro. Gostando ou não, Maduro é o presidente. Para o Brasil, tem impactos seríssimos, pois fazemos fronteira com a Venezuela. Estamos falando de uma ação de guerra na nossa fronteira. Agora é a Venezuela, amanhã poderá ser outro país," declarou.

Questões de Drogas e Petróleo

O historiador e pesquisador Rodolfo Queiroz Laterza analisa que as ações contra Caracas podem servir de modelo para qualquer país latino-americano que contrarie os interesses dos EUA. "Isso demonstra que qualquer regime ou sociedade na América Latina pode ser alvo de guerras híbridas, como na Venezuela," comentou.

Em setembro, diversos países da América Latina expressaram preocupação com a presença militar dos EUA no Caribe. Rodolfo Queiroz Laterza alertou sobre a possibilidade de uma guerra civil na Venezuela caso Maduro caia, podendo impactar todos os vizinhos, incluindo o Brasil.

Rodolfo Queiroz Laterza, especialista em segurança internacional, argumenta que, apesar dos problemas da Venezuela com o narcotráfico, o país não possui cartéis capazes de sustentar as alegações de Trump contra ele. "As ações de Trump são motivadas por fatores geoeconômicos. A Venezuela possui a maior reserva de petróleo do mundo. Trump deseja influenciar essa riqueza e que conglomerados apoiados por ele assumam essas reservas,” afirmou.

Roberto Goulart Menezes endossou essa visão, referindo-se aos 320 bilhões de barris de petróleo. "Os EUA querem recuperar a Venezuela devido à sua importância energética para o Caribe," acrescentou.

Em 2023, Trump admitiu que, caso tivesse vencido a eleição de 2020, teria "tomado a Venezuela" e "pego todo o petróleo". Camila Vidal, da UFSC, afirma que as ações de Trump contra Maduro não estão ligadas ao combate às drogas ou imigração ilegal, mas sim ao fato de a Venezuela não ser subserviente a Washington.

Desde que o chavismo chegou ao poder em 1999, Caracas mantém uma relação conflituosa com Washington. Em 2002, um golpe retirou Hugo Chávez do poder por dois dias, revertido por militares leais. Em 2017, os EUA sancionaram o setor financeiro venezuelano após a instalação de uma Assembleia Constituinte por Maduro. Em 2019, houve um embargo ao petróleo venezuelano e apoio ao deputado Juan Guaidó para tomar o controle do país. A partir de 2022, após a guerra na Ucrânia, o embargo foi parcialmente flexibilizado.

Já em 2024, Maduro foi reeleito, mas o pleito foi acusado de fraude. Com a reeleição de Trump, os EUA intensificaram pressões para desestabilização de Caracas, enviando militares à costa venezuelana.

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