Os filhos do jornalista Vladimir Herzog, morto durante o regime militar em 1975, foram oficialmente reconhecidos como anistiados políticos. O reconhecimento foi concedido pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania na última segunda-feira.
Ivo e André Herzog foram indenizados em 100 mil reais cada, além de receberem um pedido formal de desculpas do Estado brasileiro. A portaria oficial, assinada pela ministra Macaé Evaristo, foi publicada no Diário Oficial da União.
A decisão de anistiar os irmãos Herzog faz parte de um esforço contínuo do governo para reparar danos históricos da ditadura militar. Clarice Herzog, viúva de Vladimir, já havia recebido o status de anistiada em 2024, ampliando o processo de reparação à família.
O reconhecimento é visto como uma medida para tratar traumas intergeracionais, explicou Gabriela de Sá, relatora do pedido de anistia dos irmãos.
A conselheira destacou que atos institucionais restringiram a convivência familiar do jornalista e sua família, configurando-se como exceções severas aos direitos humanos durante aquele período.
A documentação incluída nos pedidos de anistia detalha os impactos psicológicos e sociais sofridos pelos filhos de Herzog. A exposição pública das circunstâncias brutais da morte do pai no DOI-CODI em São Paulo marcou profundamente os irmãos.
As disputas em torno das versões sobre a morte de Vladimir expuseram os irmãos a traumas que perduram até hoje, reforçou Gabriela de Sá.
Essas revelações enfatizam a necessidade de reconhecer e reparar as violações aos direitos humanos vividas pela família Herzog durante o regime militar. A medida reafirma o compromisso do Estado brasileiro com a justiça e a verdade histórica.