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Lula Condena Guerra em Gaza e Cobra Estado Palestino

Presidente critica inércia global em discurso na Malásia.

25/10/2025 às 16:25
Por: Redação

Gaza

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou novamente sua crítica à continuidade do conflito em Gaza e ao atraso na criação de um Estado palestino. A manifestação ocorreu neste sábado (25), durante a cerimônia de concessão do título de doutor "Honoris Causa" em Filosofia e Desenvolvimento Internacional do Sul Global, oferecido pela Universidade Nacional da Malásia, em Putrajaya, capital administrativa do país.

"As comunidades universitárias ao redor do mundo têm se manifestado contra a brutalidade do genocídio em Gaza e contra a inércia moral, que até hoje impede a criação do Estado Palestino. Geralmente, são os jovens que nos lembram que a paz é o valor mais precioso da humanidade", ressaltou.

Coerção Internacional

Lula defendeu que o aumento de tarifas comerciais entre nações não deveria ser usado como instrumento de coerção internacional. Ele destacou: "Nações que resistem ao colonialismo e à dicotomia da Guerra Fria não se intimidarão diante de ameaças irresponsáveis", embora sem citar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia aumentado tarifas de importação sobre produtos brasileiros em 50% no início de agosto.

Multilateralismo e Justiça Global

Defendendo o multilateralismo e reformas nos organismos internacionais, Lula enfatizou a relevância do Sul Global para a justiça e a diminuição das desigualdades. "A defesa de uma ordem pautada no diálogo, na diplomacia e na igualdade soberana das nações é central na proposta brasileira de reforma das Nações Unidas. Sem maior representatividade, o Conselho de Segurança continuará inoperante e incapaz de enfrentar os desafios contemporâneos."

Desigualdade Econômica

No aspecto econômico, Lula descreveu como inaceitável o fato de países ricos terem nove vezes mais poder de voto no Fundo Monetário Internacional (FMI) do que o Sul Global, referindo-se às nações da América Latina, da Ásia e da África que compartilham um histórico de colonialismo e desigualdades. Ele criticou o protecionismo e a paralisação da Organização Mundial do Comércio (OMC), que criam uma situação insustentável para o Sul Global.

"É preciso cessar os mecanismos que, ao longo dos séculos, financiam o mundo desenvolvido às custas de economias emergentes", afirmou Lula, enfatizando que o sistema financeiro global deve redirecionar recursos para o desenvolvimento sustentável de nações emergentes. Ele pontuou: "Não podemos conceber um mundo diferente sem questionar o modelo neoliberal que amplia desigualdades: 3 mil bilionários acumularam 6,5 trilhões de dólares desde 2015, superando o atual PIB somado da ASEAN e do Brasil."

Agenda

O presidente permanecerá na Malásia até a próxima terça-feira (28), momento em que se reunirá com empresários locais e da ASEAN. Neste domingo (26), uma reunião está programada com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir as tarifas impostas aos produtos brasileiros pelos norte-americanos.

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