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Lula Confiante em Suspensão de Tarifas dos EUA

Presidente brasileiro espera resolver impasse comercial em poucos dias.

27/10/2025 às 04:52
Por: Redação

Comércio Internacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou, nesta segunda-feira (27), um otimismo em relação à suspensão das tarifas dos Estados Unidos sobre o Brasil. Ele acredita que um acordo entre os países será alcançado em breve.

"Tive ontem na reunião [com o presidente Donald Trump] uma boa impressão de que logo, logo não haverá problema entre Estados Unidos e Brasil", afirmou Lula em uma coletiva de imprensa em Kuala Lumpur, na Malásia, às 11h (meia-noite no horário de Brasília).

"Estou convencido de que, em poucos dias, teremos uma solução definitiva entre Estados Unidos e Brasil para que a vida siga boa e alegre do jeito que dizia o Gonzaguinha na sua música", acrescentou.

Durante o encontro, Lula destacou que os Estados Unidos têm um superávit no comércio com o Brasil e que, portanto, a taxação dos produtos brasileiros não se justifica. Ele entregou um documento abordando os temas para negociação.

"Eu não estou reivindicando nada que não seja justo para o Brasil e tenho do meu lado a verdade mais verdadeira e absoluta do mundo, os Estados Unidos não têm déficit com o Brasil, que foi a explicação da famosa taxação ao mundo, que os Estados Unidos só iam taxar os países com quem eles tinham déficit comercial", afirmou Lula.

Questionado sobre promessas feitas por Trump ao Brasil, Lula brincou que não é santo para receber promessas.

"Para mim, o que ele tem que fazer é compromisso. E o compromisso que ele fez é que ele pretende fazer um acordo de muito boa qualidade com o Brasil."

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, informou que nas próximas semanas as equipes dos dois países se reunirão para elaborar um acordo.

"Concordamos em trabalhar para construir um acordo satisfatório para ambas as partes. Nas próximas semanas, acordamos um cronograma de reuniões entre as equipes negociadoras para tratar das negociações de ambos os países com foco nos setores mais afetados pelas tarifas", afirmou.

O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, destacou que as discussões com os Estados Unidos estão "avançando espetacularmente bem".

"O Brasil solicita que haja reversão da decisão política tomada [relativa à taxação]. Os aspectos políticos que poderiam existir já não estão mais, não está mais na mesa aquilo que nunca poderia ter estado mesmo. Graças a essa posição, nós hoje fazemos uma discussão de um acordo comercial e não com outras naturezas que não sejam comerciais", afirmou Rosa.

Venezuela e COP

Na reunião com Trump, Lula também se dispôs a ajudar nas negociações com a Venezuela.

"Isso ficou muito claro, se precisar que o Brasil ajude, estamos à disposição, estamos à disposição para negociar", disse. "O Brasil não tem interesse que haja uma guerra na América do Sul. A nossa guerra é contra a pobreza e a fome. Se a gente não conseguir resolver o problema da fome e da miséria, como a gente vai fazer guerra? Para matar os famintos? Não dá para achar que tudo é resolvido à base da bala, que não é", completou.

Lula reforçou o convite para que Trump participe da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em novembro, em Belém. O presidente norte-americano já declarou a retirada do país do Acordo de Paris.

"Convidei ele para ir à COP outra vez, disse para ele: 'É importante que você vá para dizer o que você pensa. Se você não acredita nas coisas, vai lá para você poder dizer o que você pensa. Não pode a gente fingir que não tem uma situação climática", explicou.

Outros mercados

Durante a coletiva, a equipe brasileira também destacou as visitas à Indonésia e Malásia, com quem o Brasil deseja expandir relações.

"O Sudeste Asiático é o epicentro do crescimento global, zona dinâmica e polo de inovação tecnológica que está no centro das prioridades da política externa brasileira de diversificação de parcerias e atração de investimentos", afirmou o ministro Mauro Vieira.

Lula mencionou que o Brasil apoiará a Malásia a se tornar membro pleno do Brics, do qual atualmente é parceiro.

No dia em que completa 80 anos, Lula iniciou a coletiva afirmando estar no melhor momento de sua vida: "Eu nunca me senti tão vivo e com tanta vontade de viver".

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