O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou um artigo nesta quinta-feira (6) em diversos jornais, destacando a necessidade de ações concretas na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), a ser realizada em Belém. Segundo ele, este evento deve marcar o compromisso global de agir com urgência diante da crise climática. Lula também mencionou o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) durante a Cúpula do Clima. Este fundo se diferencia por ser um investimento, não uma doação, e busca remunerar aqueles que conservam suas florestas. O presidente enfatizou que exemplos históricos, como a proteção da camada de ozônio e a resposta à pandemia de covid-19, mostram nossa capacidade de vencer desafios climáticos. Ele lembrou ainda da ECO-92, realizada no Brasil, que estabeleceu novas diretrizes para a conservação ambiental. A escolha do Brasil como sede da COP30 não é acidental, segundo Lula, dada sua posição central na Amazônia. Ele espera que o evento possibilite que o mundo veja a realidade das florestas e da bacia hidrográfica da região. Lula reforçou a necessidade de aumentar os recursos destinados à crise climática, especialmente para o Sul Global, enfatizando que os países ricos devem honrar suas responsabilidades históricas. Ele afirmou que o Brasil já reduziu pela metade a área desmatada na Amazônia em dois anos. O presidente explicou que o TFFF visa beneficiar tanto os que preservam florestas quanto os que investem no fundo. O Brasil já alocou um bilhão de dólares para essa iniciativa, e Lula aguarda contribuições semelhantes de outros países. O artigo também abordou a meta do Brasil de reduzir entre 59% e 67% das suas emissões até 2035, incluindo todos os gases de efeito estufa. Lula defendeu que as receitas da exploração de petróleo devem financiar uma transição energética justa. Ele prevê que empresas petrolíferas, como a Petrobras, se transformem em empresas de energia, diante da impossibilidade de perpetuar modelos baseados em combustíveis fósseis. O presidente reiterou a importância de decisões políticas climáticas com participação popular, lembrando que os mais vulneráveis são os mais afetados pelas mudanças climáticas. Ele anunciou uma declaração sobre Fome, Pobreza e Clima, a ser lançada em Belém. Por fim, Lula chamou a atenção para a necessidade de uma reforma na governança global baseada no multilateralismo, criticando a atual ineficácia do Conselho de Segurança da ONU. Ele propôs a criação de um Conselho de Mudança do Clima da ONU, com legitimidade para garantir o cumprimento de promessas climáticas, e encerrou declarando que chegou a hora dos planos de ação.