O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, fez um pedido nesta terça-feira (18), durante sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado, para que o orçamento da instituição seja aumentado em 38% para o próximo ano. Rodrigues também sugeriu a necessidade de dobrar o atual efetivo da PF para melhorar a capacidade de atuação contra facções criminosas.
Em sua fala, Andrei destacou que a PF dispõe atualmente de 1,8 bilhão de reais em recursos e defendeu que este valor suba para pelo menos 2,5 bilhões de reais. O objetivo é garantir melhores condições no combate às organizações criminosas. Esse pedido de aumento já foi encaminhado como parte da Lei Orçamentária Anual (LOA), que está em análise no Parlamento.
Rodrigues ressaltou que o atual efetivo de 13 mil policiais federais, dos quais 2 mil são servidores administrativos, é insuficiente para atender a todas as demandas. Há previsão de que mais 2 mil policiais sejam incorporados no próximo ano, após concurso realizado em julho. No entanto, ele sublinhou a necessidade de dobrar o contingente previsto em lei para garantir uma atuação mais eficaz da PF.
“Estimo que precisamos do dobro desse efetivo para atender com eficiência todas as demandas existentes”, afirmou Andrei.
Além das investigações criminais, a PF realiza outras tarefas, como controle de armas, emissão de passaportes e segurança em fronteiras. Estas responsabilidades aumentam a necessidade de reforço no número de agentes.
O diretor-geral criticou o substitutivo do projeto de lei Antifacção, elaborado pelo secretário de Segurança Pública licenciado de São Paulo, Gulherme Derrite. O texto, segundo Andrei, retira recursos significativos de fundos federais, como o Funapol, prejudicando o orçamento da PF e criando conflitos legais entre normas vigentes, o que comprometeria o progresso dos processos penais contra organizações criminosas.
A mudança pode resultar em confusão processual e prejuízos para o sistema investigatório, comentou Rodrigues.
Outro ponto de destaque na discussão foi a necessidade de priorizar a apreensão do patrimônio das facções, assim como maior cooperação entre forças policiais e internacionalmente. Isso consta também como meta da PF para o enfrentamento ao crime organizado.
Em resposta ao senador Alessandro Vieira, relator da CPI, Andrei relatou que as operações da PF resultaram na apreensão de mais de 6,4 bilhões de reais em 2024. Com a Operação Carbono Oculto, quase 4 bilhões de reais foram confiscados este ano, com a previsão de atingir 9 bilhões de reais em apreensões em 2025.
“O foco é atingir o poder econômico das facções, com apreensão de bens como imóveis e veículos”, enfatizou Andrei.
Rodrigues ainda destacou que a integração entre as polícias federais e estaduais, através de formações como as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), já existe, mas pode ser melhorada com a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança, aumentando a coordenação federal.
Sob a perspectiva do chefe da PF, a economia digital, com o uso de fintechs e criptomoedas, tem criado desafios adicionais para o combate ao crime organizado. A transição para processos digitais exige avanços institucionais para enfrentar práticas ilícitas facilitadas por essas tecnologias.